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O feedback no trabalho continua sendo uma das ferramentas mais utilizadas pelas lideranças para o desenvolvimento de equipes. Na prática, porém, muitas dessas conversas acabam produzindo o efeito contrário, trazendo insegurança e desmotivação.
Para Reinaldo Rachid, especialista em desenvolvimento humano e autor do livro “Gerar valor com pessoas”, o problema não está necessariamente no feedback em si, mas na maneira como ele costuma ser aplicado dentro das organizações.
“Em vez de promover aprendizado, o feedback muitas vezes gera defensividade, insegurança e estagnação”, afirma o especialista.
O cenário ajuda a explicar por que o tema segue sendo um desafio para empresas e lideranças. Dados do relatório State of the Global Workplace, da Gallup, mostram que colaboradores que recebem orientações frequentes e percebem apoio genuíno de suas lideranças tendem a apresentar níveis mais altos de engajamento e desempenho. Ainda assim, muitas empresas continuam tratando feedback apenas como uma conversa pontual de avaliação.
A seguir, o especialista apresenta alguns dos principais fatores que comprometem a eficácia do feedback e aponta caminhos possíveis para transformá-lo em um instrumento de desenvolvimento.
De acordo com Rachid, um dos erros mais comuns acontece quando gestores acreditam que apontar falhas automaticamente ajuda alguém a evoluir. Para ele, existe uma diferença importante entre criticar um erro e ensinar como alcançar o resultado esperado.
“Muitos gestores se concentram em corrigir falhas, mas deixam de oferecer clareza sobre o que deve ser feito”, explica o especialista.
Sem direcionamento concreto, o colaborador tende a permanecer perdido sobre quais comportamentos precisa manter, abandonar ou desenvolver. O resultado costuma ser retrabalho, insegurança e sensação de estagnação.
Outro problema recorrente aparece quando o feedback no trabalho assume um tom pessoal ou acusatório. Nessas situações, a conversa deixa de ser percebida como oportunidade de desenvolvimento e passa a ser encarada como ameaça.
Segundo o escritor, isso ativa um comportamento defensivo conhecido como “modo de luta ou fuga”. Em vez de refletir sobre melhorias, profissionais passam a justificar atitudes, se proteger emocionalmente ou transferir responsabilidades.
O especialista afirma que, quando isso acontece, o aprendizado perde espaço para a autopreservação.
Para Rachid, outro equívoco frequente está na subjetividade. Muitos líderes confundem feedback com opinião pessoal, transformando orientações profissionais em comentários baseados apenas em preferências individuais.
Quando isso acontece, o processo perde consistência e gera ruído na comunicação das equipes.
“O feedback precisa estar ancorado em critérios claros, objetivos e alinhados ao resultado esperado”, destaca.
Além das críticas excessivas, a ausência de reconhecimento também aparece como um problema recorrente nos processos de feedback. Na visão do especialista em desenvolvimento humano, muitos gestores focam apenas no que precisa ser ajustado e deixam de reforçar comportamentos positivos que deveriam ser mantidos.
Sem esse equilíbrio, o colaborador pode não entender exatamente o que está funcionando bem, e acabar abandonando práticas importantes por falta de validação.
Rachid afirma que feedback eficaz exige atenção genuína durante a conversa e clareza sobre aquilo que deve ser preservado, desenvolvido ou transformado.
Feedback não é apenas uma transmissão de informação, é um processo relacional. Por isso, exige o que o especialista chama de empatia cognitiva, ou seja, a capacidade de compreender o outro, escutá-lo de forma ativa e ajudá-lo a evoluir.
Sem esse envolvimento genuíno, o feedback se torna técnico demais ou distante, não gerando conexão nem aprendizado real.
E, sem isso, o desenvolvimento contínuo, essencial em contextos complexos, não se sustenta.
Na avaliação de Rachid, empresas precisam abandonar a visão do feedback como evento isolado e incorporá-lo a ciclos contínuos de aprendizagem e desenvolvimento.
Uma das alternativas apontadas por ele é o modelo PDCL (Plan, Do, Check, Learning), no qual o aprendizado deixa de ser consequência eventual e passa a ocupar posição central na rotina das equipes.
Para ele, um feedback efetivo precisa reunir alguns elementos fundamentais:
“No fim, o feedback eficaz não é aquele que corrige, mas o que desenvolve. Não é o que expõe, mas o que orienta. Não é o que julga, mas o que constrói”, conclui.